A evolução do trabalho no Brasil
Este blog tem por objetivo descrever como ocorreu a transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado no Brasil.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Açao concreta
Caro visitante,
Obrigado por visitar nosso BLOG, você é peça fundamental para sua construção.
Após sua visita você deve ter lido nossos questionamentos, sobre a escravidão que ainda hoje assombra nossa nação. Isso só é permissivo porque nao são manifestadas ações que possam modificar essa calamidade.
Se você concorda, ajude-nos deixando aqui uma ação que possa nos ajudar a construir uma nação diferente da que conhecemos hoje.
Navio Negreiro
Castro Alves
I
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................
Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.
II
Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.
Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!
O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!
Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...
III
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
V
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .
São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...
Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
Trabalho escravo: "Trabalho infantil".
Trabalho infantil tem ritmo menor de queda no País, diz IBGE
Disponivel em: < http://economia.estadao.com.br/noticias/not_34472.htm, acesso em 26/11/2010.
Número de trabalhadores entre 5 e 17 anos recuou 4,5% entre 2008 e 2009, para 4,250 milhões; entre 2007 e 2008, queda foi de 7,6%
08 de setembro de 2010 | 10h 13
Alessandra Saraiva, da Agência Estado
RIO - Embora o trabalho infantil tenha continuado a mostrar tendência de declínio no Brasil em 2009, a magnitude do recuo foi mais fraca do que o apurado em anos anteriores. É o que mostrou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009.
No País, o número de trabalhadores na faixa etária entre 5 e 17 anos recuou de 4,452 milhões para 4,250 milhões de 2008 para 2009, o que representou a retirada de cerca de 202 mil jovens do mercado de trabalho, uma queda de 4,5% no período. No entanto, a queda no número de crianças e adolescentes de 2007 para 2008 no mercado de trabalho foi mais intensa, de 7,6%, e o número de jovens que não mais realizavam trabalho infantil foi maior, de 367 mil.
Em seu levantamento, o IBGE revelou que o número de crianças de 5 a 13 anos trabalhando caiu de 993 mil para 908 mil de 2008 para 2009, uma queda de 8,5%. Já entre os adolescentes de 14 a 17 anos, o número de pessoas no mercado de trabalho recuou de 3,459 milhões para 3,343 milhões no período, uma queda de 3,3%.
No entanto, ao detalhar o comportamento do trabalho infantil por regiões, é possível perceber que nem todas as localidades apresentaram queda no número de jovens no mercado de trabalho. No Nordeste, o número de adolescentes de 14 a 15 anos trabalhando subiu de 443 mil para 464 mil de 2008 para 2009, um avanço de 4,7%, no período
Ainda segundo o instituto, os homens continuam sendo maioria entre os trabalhadores de 5 a 17 anos, e representam mais da metade do total (2,7 milhões).
Disponivel em: < http://economia.estadao.com.br/noticias/not_34472.htm, acesso em 26/11/2010.
Trabalho escravo: "Trabalho infantil".
IBGE: 4,5 milhões de menores ainda trabalham no Brasil
18 de setembro de 2009 | 10h 49
JACQUELINE FARID - Agencia Estado
O número de trabalhadores de 5 a 17 anos diminuiu no País em 2008 em relação ao ano anterior, segundo revelou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2008, havia 4,5 milhões de trabalhadores nessa faixa etária no País, um número menor do que o registrado em 2007, quando 4,8 milhões de menores trabalhavam.
Em 2008, segundo a Pnad, 141 mil crianças de 5 a 9 anos de idade trabalhavam no Brasil, menos que as 158 mil que trabalhavam no ano anterior. "Há uma queda gradual e persistente do trabalho infantil no País", observou o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo. Segundo ele, programas sociais como o Bolsa Família, que exige que as crianças estejam na escola para o acesso aos benefícios, contribuem para a diminuição do trabalho de menores no Brasil.
Simultaneamente à redução do trabalho infantil, o número de jovens na escola aumentou de um ano para o outro. De acordo com a Pnad, a taxa de escolarização (porcentual de pessoas de determinada faixa etária que estão na escola) das pessoas de 5 a 17 anos saltou de 92,4% em 2007 para 93,3% em 2008.
A Pnad é realizada anualmente e investiga os temas de habitação, rendimento e trabalho, associados a aspectos demográficos e educacionais. A pesquisa teve sua origem em 1967, quando começou apenas no Rio de Janeiro, e atualmente é realizada nacionalmente, por meio de uma amostra de domicílios. No levantamento divulgado hoje foram pesquisadas 391.868 pessoas e 150.591 unidades domiciliares, distribuídas por todo o País. A parte de rendimento da Pnad aperfeiçoa a estimativa de rendimento das famílias usada nas contas nacionais. Além disso, a Pnad é utilizada na estimativa da população brasileira. A pesquisa ainda é tomada como base para o estudo chamado Síntese de Indicadores Sociais, que o IBGE divulgará em outubro.
Disponivel em: http://www.estadao.com.br/noticias/economia,ibge-45-milhoes-de-menores-ainda-trabalham-no-brasil,437225,0.htm, acesso em 26/11/2010.
Trabalho escravo: Trafico de mulheres.
Quase 60 mil brasileiros são vítimas do tráfico de pessoas por ano, diz SNJ
Maioria das vítimas são mulheres jovens de baixa renda, que são obrigadas a se prostituir
18 de agosto de 2010 | 22h 26
BRASÍLIA- A cada ano, cerca de 60 mil brasileiros são vítimas das redes internacionais de tráfico de pessoas e têm como principais destinos a Espanha, Portugal e Suíça, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 18, pela Secretaria Nacional de Justiça (SNJ), ligada ao Ministério da Justiça.
A grande maioria das vítimas, segundo os dados oficiais, são mulheres de famílias de baixa renda com entre 18 e 25 anos de idade. Nos destinos, elas costumam ser obrigadas a se prostituir.
"Os traficantes mantêm o poder sobre elas, que devem as passagens, a estadia e a alimentação, fazendo com que se submetam ao que eles querem", disse coordenador nacional de enfrentamento ao tráfico de pessoas da SNJ, Ricardo Lins, à Agência Brasil.
A ONU diverge dos dados da secretaria e estima que 100 mil pessoas sejam vítimas do tráfico de pessoas no Brasil a cada ano.
Segundo Lins, as Nações Unidas incluem em sua estatística pessoas que deveriam ser catalogadas como imigrantes ilegais e não como vítimas do tráfico de pessoas.
De acordo com a Agência Brasil, a SNJ enviará neste semestre técnicos as estados do Acre, Ceará, Pará, Rio de Janeiro, Goiás, Pernambuco, São Paulo e Bahia para mapear o problema.
Fonte: O estadão.com.br, Disponivel em : http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,quase-60-mil-brasileiros-sao-vitimas-do-trafico-de-pessoas-por-ano-diz-snj,597017,0.htm, acesso em 26/11/2010.
Reportagem do Conexão Reporter sobre o "Trabalho escravo no lixão"
Vivendo de Migalhas
Acompanhamos a rotina da família Leite. Assim que terminam o café, eles se preparam para mais um dia. As meninas: Raíssa de treze anos, Lorrana de oito, e Evelyn de sete vão para a escola juntas. Logo em seguida, Cleófas, o filho mais velho, também vai estudar. Suor, cansaço, buracos no caminho. Adecarlos anda quatro quilômetros até a escola todos os dias. O objetivo é economizar o dinheiro da passagem de ônibus. O sol nasceu e o chefe da família está de pé. Adecarlos sai bem cedo para o trabalho. São vinte minutos de caminhada até o ponto de ônibus. Na cidade vizinha de Taboão da Serra, na grande São Paulo, Adecarlos ganha o seu pão de cada dia. Lá ele faz o serviço de faxina. Ele varre o chão, as salas, limpa as janelas e recolhe o lixo. Uma jornada de oito horas em troca de um salário mínimo. Enquanto isso, a mulher de Adecarlos fica em casa.
Para ajudar na renda familiar, Ivanilda faz alguns bicos. Ela era empregada doméstica. Há 2 anos descobriu que sofre de artrose e não consegue mais trabalhar por causa das fortes dores no corpo. A tarde, ela tem mais responsabilidades. Todo o esforço é para complementar o salário mínimo do marido. Ivanilda recebe uma sacola com centenas de tampinhas recicláveis. Com a ajuda de Cleófas e, às vezes, do sogro, eles precisam lacrar o objeto.
Estamos no Parque Edu Chaves, na zona norte São Paulo. Lá encontramos dezenas de carroceiros, mas um especialmente nos chama atenção. Perguntamos se podemos acompanhá-lo em um dia de trabalho. Ele aceita e marcamos um encontro. No dia seguinte, nosso produtor se prepara para encarar as ruas como carroceiro. Cinco e meia da manhã. Chegamos à casa de Everton, o carroceiro de 17 anos que não estuda e precisa ajudar a sustentar a família. Everton mora em um apartamento simples com a mãe e as duas irmãs. O pai morreu há 5 anos e desde então, o jovem procura nas ruas entulho para vender.
Em uma hora de trabalho, o ponto mais crítico do dia. A frequência cardíaca do nosso produtor, que começa com 120 batimentos por minuto, agora sobe para 176. Bate o cansaço e aos poucos o carrinho de Everton vai enchendo. Nosso produtor sente fortes dores nas costas. Dez da manhã e a dupla percorre 22 ruas e são dados mais de 6 mil passos. É quando o estômago pede socorro. Com fome, Everton bate na casa de um amigo que costuma servir um lache para o jovem. Meio dia, sol a pino. A temperatura aumenta, castiga. Nosso produtor está prestes a desistir. O cansaço e as dores musculares falam mais alto. Uma da tarde e eles atingem a marca dos dez mil passos. Doze quilômetros percorridos até que nosso produtor pede água, desiste e solicita para que parem. Everton pesa o material que arrecadou. São 25 quilos e o jovem volta para casa com 15 reais no bolso. Por mês, ele consegue tirar em média 300 reais. Agora durante a tarde chega o momento de descanso e mais prazeroso para o jovem: jogar video game. Everton tem dificuldades para instalar o jogo. O video game está velho, os fios descascados. É assim que ele encontra um jeito de brincar e lembrar que ainda é apenas um garoto, um menino de 17 anos.
Você lembra da família "leite"? Que o faxineiro Adecarlos, a esposa e os quatro filhos não vivem, mas sobrevivem com um salário mínimo? Hoje é um dia especial para eles, o dia das compras. O momento que eles vão conseguir preencher os espaços vazios da dispensa. As crianças fazem pedidos. Sem condições de comprar um carro, Adecarlos, Ivanilda e a filha Raíssa se deslocam até o supermercado à pé. Na hora de escolher o feijão, Ivanilda desiste de levar. O preço está alto demais. A família escolhe os produtos pelo menor preço. Alguns ítens da lista ficam de lado e os três contam cada centavo.
É hora da família leite fazer as contas do mês. Com a ajuda da mulher e da filha Raíssa, Adecarlos soma as despesas do mês. Depois de somar as dívidas, que ainda não foram pagas, Adecarlos descobre que vai faltar dinheiro para sustentar a família até o final do mês.
O desemprego leva famílias inteiras a se alimentar do que vai para o lixo. Nas feiras livres, além dos vendedores e compradores, encontramos pessoas como dona Terezinha. Fome e a necessidade de encontrar no chão a comida que vai alimentar ela e os netos. Dona Terezinha tem tuberculose há 5 anos. Por ser uma doença grave e em determinada fase, contagiosa, ela não consegue arrumar um emprego fixo de doméstica. O filho está preso e dona Terezinha sustenta sozinha os três netos.
Enquanto isso, nesta outra feira da zona oeste de São Paulo, conhecemos Renato e Rosângela enquanto reviravam o lixo. Eles vasculham o chão à procura do que vai se transformar em uma refeição. Renato e Rosângela estão desempregados. Renato era auxiliar de obras, mas depois de um acidente, ele ficou com um lado do corpo paralisado. Agora, tenta receber aposentadoria por invalidez, mas ainda não conseguiu nada. Para não ficar parado, Renato pega recicláveis na rua e faz bicos de flanelinha.
Até poucas semanas, os dois dormiam na rua. Agora, eles moram de favor na casa de um primo. Dona Terezinha sai da feira com o carrinho lotado. Ela carrega como pode os alimentos que consegue pegar do chão.São quatro quilômetros da feira até em casa. No caminho, dona Terezinha passa em frente a uma de suas maiores mágoas, o centro de detenção provisória de Pinheiros, local onde seu filho está preso. Dona Terezinha mora na favela, ruas de terra batida, casas improvisadas. É ali que ela cria sozinha os três netos. Assim que chega em casa, dona terezinha lava os alimentos e já prepara um lachinho para as crianças. A casa onde mora é muito simples: 2 dormitórios, sala, cozinha, tudo bem apertado. Os cômodos são divididos com madeiras improvisadas e lençóis. No teto, buracos que a água invade quando chove.
A equipe do Conexão Repórter está na região metropolitana de Belém. Na periferia da segunda maior cidade do estado do Pará, encontramos ruas sem asfalto. População sem saneamento básico, sem água encanada. carroças servem como meio de transporte. Nessa comunidade moram oito mil famílias. Setenta por cento dos moradores sobrevivem do lixão da cidade. Neste grande depósito à ceu aberto, flagramos crianças trabalhando no local. Este menino mal consegue carregar o pneu. O garoto de onze anos conta que passa o dia inteiro aqui e revela que a sua vontade é estar na sala de aula e quando crescer, sonha em ser um policial. Todos aguardam ansiosos a chegada do caminhão de lixo. Mal termina de descarregar, começa a caça. Animais como bois, vacas e urubus dividem espaço com os catadores. Um dos homens que frequentam o local perdeu um dedo e parte de outros dois da mão direita. O acidente aconteceu no lixão do Aurá. Um objeto de plástico prendeu em seu dedo e no caminhão e, então, o motorista arrancou e estourou seus dedos.
Homens, mulheres, trabalhadores vivendo de migalhas. Fazem de tudo para sobreviver e são com com certeza muito mais dignos do que aqueles que costumam humilhá-los.
Disponivel em:http://www.sbt.com.br/conexaoreporter/reportagens/reportagem.asp?id=42&t=Vivendo+de+Migalhas, acesso em 26/11/2010
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